17.3.10

Crer.

Leia, com sua carga de preconceito suspensa...
O que vou contar não precisa de conceitos, nem pré, nem pós...só precisa ouvidos e coração.
Após um convite da minha tia com os olhos marejados fui a um local diferente.
Eu carregada de preconceito e sabedoria total de tudo, resolvi conhecer o tal mundo que toda família (paterna) freqüentava, desde a época da minha avó viva, (ela começou por volta de 1955).
26-09. Nesse dia eu estive pela primeira vez em um terreiro de umbanda.
Kardecista desde muito, pensava que rituais de umbanda envolvia velas pretas, animais e sangue.
Não sinto vergonha por ter pensado isso, sentiria talvez, se não aceitasse ir e conhecer de fato os "trâmites".
Totalmente diferente, nada de cores escuras, as pessoas da Gira se vestem com roupas de renda branca, os homens calça e bata, as mulheres com saia e bata.
São essas pessoas que mantêm a vibração energética do local, fruição,tudo ao "comando" do pai de santo.
Atabaques dão o som para os pontos serem cantados, cada ponto se refere a um Orixá ou a uma entidade saudada.
São letras de fé, orações cantadas, animadas e emocionantes.
O terreiro tinha imagens de santos conhecidos pelos católicos, que na Umbanda recebem outros nomes, como São Jorge que na Umbanda é Ogum.
Os passes são "interativos",você conversa com o caboclo, exu ,preto velho ou pomba gira.
Aprendi lá que Exu e Pomba gira não são coisas (pessoas/espíritos) ruins, isso é criação dos conceitos prévios..ao contrário, eles são espíritos dispostos a nos ajudar, se ajudando com isso também, todos juntos buscando evolução.
Desde então parei de ser espectadora da minha vida, comecei a atuar.
Mudei o visual e a forma de agir.
As roupas escuras deram lugar aos vestidos coloridos, as músicas pesadas foram substituídas por canções leves e as relações se estreitaram.
Depois daquele dia comecei a conversar com a minha mãe e não apenas falar.
Vi na Umbanda ausência de preconceito com os frequentadores e atuantes.
Lá quem é gay continua sendo gay, ou amarelo, preto, azul, tatuado, gordo, magrelo.
Ninguém precisa mudar para estar em um terreiro, você é aceito como é.
A umbanda pede somente coração, humildade e fé.
Hoje acredito muito mais na família, se era 90% me tornei 100%.
Acredito que mudanças são possíveis e não precisa radicalismo.
Vi que mudanças acontecem na hora certa, não para mim, mas para Deus.
Percebi que os fardos são do tamanho que podemos suportar, nunca além.
Entendi que tempo é uma mistura de fé, merecimento e superação.
Lembrei da minha importância nesse mundo auxiliando os que me rodeiam.
Lá ajudando somos ajudados.
Não é fanatismo, é prazer, é realização.
Se encontrarem nas suas religiões ou no Deus que acreditam o mesmo que encontrei naquele terreiro, ficarei feliz por você da mesma forma.
O importante é crer e ter atitudes que auxiliem a evolução individual e coletiva.
Amor é a base de tudo.
Desde aquela data, recebi passes, energias, bênçãos, abraços, lágrimas, ajuda, força, pulseira, guia, doces e hoje meu contragun.
Um dia vestirei o branco e com muito orgulho do terreiro que piso e do que poderei transmitir e receber na minha jornada evolutiva.
26-09. Nesse dia eu estive pela primeira vez em um terreiro de umbanda e de lá não pretendo sair.
Salve!