Pai,
Já te contei que toda vez que ouço uma moda caipira lembro do sereno cobrindo a paisagem de São João?
O frio, as plantas cheias de gotinhas do orvalho,os passarinhos cantando baixinho, a cidade sumida naquelas nuvens.
O banco amarelo,eu te esperando chegar com o café..o Opala chegando, o ronco do motor.
A viola caipira.
Sinto o cheiro do mato molhado,do café pronto,o seu cheiro,o peso da sua mão me abraçando.
Sabe pai, aquele tempo me trás saudade..estávamos juntos, hoje cada um segue seu caminho, forma sua vida,estamos juntos, mas não como naquele tempo.
Ainda somos um só, mas a paisagem mudou, o frio nem existe mais, só as modas permanecem na lembrança, assim como seu abraço.
Hoje eu te ligaria pra dizer como estou com saudade e se viu como seus netos são lindos.
Acho que vou acabar morando na roça, olhando pro gado, pra tranquilidade..o cheiro do fogão a lenha..meu lugar.
Pai, tem olhado o Lucas?Aposto que você gostaria dele, e iria se surpreender ao me ouvir dizer que com ele quero me casar e quem sabe ter filhos.
Queria tanto te contar..
Ô viola que traz saudade, ô pai bom, ô tempo bom.
Que Deus bom de ter me permitido você por 19 anos. =´) , queria mais, mas é a vida.
Fique com ele, nos vemos nos campos..entre as flores amarelas.
Cuitelinho
Renato Teixeira
Cheguei na beira do porto Onde as onda se espaia As garça dá meia volta E senta na beira da praia E o cuitelinho não gosta Que o botão de rosa caia,ai,ai
Ai quando eu vim da minha terra Despedi da parentália Eu entrei no Mato Grosso Dei em terras paraguaia Lá tinha revolução Enfrentei fortes batáia,ai, ai
A tua saudade corta Como aço de naváia O coração fica aflito Bate uma, a outra faia E os óio se enche d´água Que até a vista se atrapáia, ai...