Fecho os olhos e lembro da casa do Tio Sebastião e da Tia jô de São Tiago, na época em que morávamos lá. Engraçado como aquilo era tão comum e eu tão nova que não dava a importância que dou hoje.
As vezes não era hora de dar importância, mas de viver tudo que lá oferecia...a importância fica pra hoje, quando a memória foi a única coisa que restou.
O chiqueiro no final da horta, aqueles porcos enormes, os cachorros no canil..E o gado?Ficavam no pasto e voltavam no final do dia, sem ninguém chamar..ficavam no curral comendo a ração, a água na tina de madeira.
O local onde ficava o feno...que buraco grande,morria de medo de cair lá..era tão grande,mas tão grande, que temo chegar lá hoje e ver que sou maior que ele rs.
O piso da fazenda..as pedrinhas e as correntes na varanda..
A fita k7 do Chitãozinho e Xororó, Zezé de Camargo e as modas de viola..em um tempo que ainda eram de raiz.
O cheiro..sei descrever cada canto da casa, cada detalhe da cozinha,com a cortina de miçangas e o fogão á lenha..sempre aceso.
Lá tomávamos leite direto da vaca, com a canequinha em baixo.
O meu irmão saia de casa com sua bicicletinha e a leiteira pra pegar leite na casa dos tios...voltava devagar, com o leite fresquinho..ele tinha 4 anos.
Os livros de música não sei onde estão..nem se verei os tios antes que eles se vão também, mas a memória e a gratidão por essa infância...Ahh..essa será eterna.
Eterna.
Nem precisa dedicar!
Chuá, chuá
(Pedro Sá Pereira e Ary Pavão)
Deixa a cidade formosa morena Linda pequena e volta ao sertão Beber da água da fonte que canta E se levanta do meio do chão Se tu nasceste cabocla cheirosa Cheirando a rosa, no peito da terra Volta pra vida serena da roça Daquela palhoça no alto da serra E a fonte a cantar, chuá, chuá E as água a correr, chuê, chuê Parece que alguém que cheio de mágoa Deixaste quem há de dizer a saudade No meio das águas rolando também A lua branca de luz prateada Faz a jornada no alto do céu Como se fosse uma sombra altaneira Na cachoeira fazendo escarcéu Quando essa luz na altura distante Loira ofegante no poente a cair Dai essa trova que o pinho descerra Que eu volto pra serra que eu quero partir